A hostilidade no ambiente de trabalho

A OMS – Organização Mundial da Saúde, por meio do documento ‘Ambientes de trabalho saudáveis: um modelo para a ação’, define um ambiente de trabalho saudável como: “um lugar onde os trabalhadores e as chefias superiores colaboram para a implementação de um processo de melhoria contínua para proteger e promover a saúde, segurança e bem-estar de todos os trabalhadores e a sustentabilidade do local de trabalho”.

Porém, em muitos casos, o cenário é bem diferente, onde a hostilidade faz parte da rotina de diversos profissionais. É raro quem nunca passou ileso por ela, seja como vítima, testemunha ou o próprio autor do desrespeito; onde existem relações humanas, os conflitos são inevitáveis. Além disso, a competitividade, cobrança por resultados e diferentes convicções propiciam atitudes ríspidas, agressivas e insensíveis.

“Um ambiente hostil é caracterizado pela insatisfação, gerando fofocas, comunicação não assertiva, baixo rendimento, desmotivação e alta rotatividade dos colaboradores. Essa situação chega a afetar, e muito, as tarefas das pessoas, resultando em afastamentos por saúde e faltas não justificadas”, especifica a psicanalista e gestora de recursos humanos, Maria Cristina Zapparolli.

Estresse e ansiedade, aliás, estão entre as principais causas de afastamento por doenças relacionadas a ambientes hostis, de acordo com dados do Ministério do Trabalho. Pesquisadores mostraram que 98% dos profissionais já viveram alguma situação do tipo e outros 99% testemunharam episódios.
A psicanalista aponta que é preciso separar o pessoal do profissional para estabelecer limites e saber se impor diante do problema. “Vale lembrar que, por vezes, o gestor também é vítima, por sofrer pressão de todos os lados. A agressividade acontece porque ele tem a dor e sente que precisa se defender. Por isso, é fundamental que o colaborador coloque limites e se posicione, senão, aquele que aceita tudo, será o mais prejudicado”, alerta Maria Cristina.

 

Sinais de ambientes hostis no trabalho

  • Chefe que impõe tarefas e prazos absurdos, fora dos padrões da empresa e impossíveis de serem cumpridos;
  • Chefe que costuma isolar, desprestigiar ou até mesmo ignorar a presença de um determinado colaborador;
  • Ofensas pessoais constantes, com o objetivo de agredir e desestabilizar psicologicamente;
  • Impedir deliberadamente o crescimento profissional do colaborador;

Como agir diante de um ambiente hostil

  • Não ficar sozinho com quem pratica o assédio e reunir o maior número de provas, como colegas que se disponham a testemunhar ou criação de históricos, como e-mails e mensagens;
  • Praticar atividade física, investir em hobbies e lazer funciona como uma espécie de escudo contra os efeitos tóxicos de um ambiente hostil;
  • Conversar com um colega ou o RH para orientação é importante para cessar a atitude nociva e encontrar saídas que você, talvez, não enxergue sozinho.