Crenças limitantes: como elas são internalizadas?

O mundo sempre andou acelerado… E desde a hora em que uma pessoa nasce, o que ela faz ao longo de toda a vida é desenvolver-se, adequar-se ao cotidiano e atender as exigências e expectativas de terceiros – seja na família, no grupo de amigos, na escola, na faculdade ou no trabalho.

Obrigações surgem a todo o momento para serem cumpridas; as pessoas crescem sob as instruções dos mais experientes e, com base nas verdades de outros, o ser humano é automaticamente inserido dentro de um contexto ao qual não se dá conta.

A vida passa – ora tudo está bem ora não –, mas o fato é que muitas vezes o sujeito esquece (ou desconhece a necessidade) de olhar para dentro de si e compreender se determinados comportamentos pertencem a si mesmo ou foram adquiridos da convivência com alguém. Se determinadas posturas são benéficas ou não, e de onde é a sua origem. O inconsciente humano é um emaranhado de relações sociais.

Por que fulano tem tal comportamento?

O comportamento das pessoas é baseado em crenças, ou seja, em tudo aquilo que acreditamos ou julgamos ser certo ou errado. Essas crenças são frutos das experiências vividas (sejam positivas ou negativas).

“Trata-se do que aprendemos no decorrer da vida, por meio de mensagens claras ou simbólicas (aqueles acontecimentos que damos um significado mental) e que, de alguma maneira, fez sentido naquele momento, tornando uma verdade interna, uma ‘verdade absoluta’. Vivenciamos as crenças de maneira automática, sem sequer perceber que estamos submissos a elas”, explicou a psicóloga e mentora, Sabrina Alves, que faz atendimentos clínicos desde 2009.

Segundo a psicóloga, a pessoa cresce aprendendo e desenvolvendo comportamentos que condizem com tais aprendizados, sem ao menos perceber ou questionar. Dentro desse sistema de crenças o qual está inserido, existem as crenças fortalecedoras, que vão ao encontro da força interna e torna a pessoa preparada para buscar objetivos.

“Porém, quando algumas crenças não condizem mais com a vida que você escolhe, elas se tornam vilãs de seus feitos e não te ajudam a obter os resultados que almeja. Como as crenças são inconscientes (não ficam na nossa razão), pode ser um desafio identificá-las. Este é o motivo pelo qual passamos muito tempo de nossas vidas repetindo padrões que não estamos satisfeitos e, com isso, não atingimos os resultados que queremos (e sem perceber). Isso acontece porque, estando essa crença enraizada e sendo uma ‘verdade absoluta’ conforme adquirida um dia, ela ‘dá um baile’ até que a identifiquemos e nos livremos delas, esclareceu Sabrina.

Crenças construídas na infância

O sistema de crenças começa a ser construído na infância, e alguns comportamentos do cuidador são importantes no contato com a criança, de forma que qualquer atitude favoreça uma constituição emocional mais forte e confiante para a vida adulta.

Sabrina ainda reforça que muitas crenças são absorvidas pelas crianças diante do que lhe acontece de forma particular ou pela percepção do ambiente, ou seja, cada pessoa tem sua parcela de construção no sistema de crenças.

Portanto, a psicóloga listou algumas dicas de como obter uma relação favorável entre um adulto e uma criança, favorecer a autoestima e torná-la um adulto (possivelmente) mais seguro.

Dicas

  • Nunca compare uma criança com outra pessoa – isso pode afetar a autoimagem e autoestima e criar crenças de identidade, onde ela pode não se achar capaz de batalhar por nada, pois sempre vai haver alguém melhor;
  • Mostre sempre harmonia entre você e o dinheiro – uma relação distorcida com o dinheiro pode levar uma pessoa a entender que ganhar dinheiro é algo ruim ou até mesmo condenável;
  • Cuidado com o tipo de fala que utiliza quando vai dar uma bronca na criança. Por exemplo: “Você não sabe fazer nada”, “Você nunca consegue!”, são muito nocivas para a construção do mundo de uma criança, podendo deixá-la com crenças de menos valia;
  • Excesso de regras na infância pode levar uma pessoa (em sua vida adulta) a temer toda figura de autoridade que encontrar, tendo crenças de que as pessoas são sempre uma ameaça;
  • Ausência de regras na infância pode levar uma pessoa (quando adulta) a não identificar autoridades (figuras hierárquicas) mesmo nas mais corriqueiras relações, tais como: professores, instrutores, chefes etc., e assim se sabotar nas relações;
  • Procure não mascarar seus erros diante de uma criança. É necessário que ela compreenda que falhas e acertos fazem parte da vida, que um erro cometido não define uma pessoa, e que sempre é possível lidar com as falhas;
  • Comemore pequenas conquistas e mostre o valor dos pequenos esforços – isso fará com que a criança perceba valor em todas as ações que pode realizar. Lembre-se que adultos são espelhos das crianças e ela levará muito a sério tudo aquilo que vivenciar;
  • Comemore e mostre valor a cada pequena conquista da criança, assim ela perceberá que a vida é feita de pequenos esforços e eles fazem mais parte da vida do que grandes acontecimentos, por isso devem ser levados em conta;
  • Se você quiser expressar valores espirituais a uma criança, preste atenção para que não lhe transmita uma ideia de Deus “punitivo” que espera por um erro para agir de forma violenta. A espiritualidade deve ser transmitida de forma leve e deve confortar o coração e não ser algo para se ter medo;
  • Lembre-se que a criança está absorvendo todas as situações vivenciadas, e as atitudes, muitas vezes, pesam muito mais que as palavras proferidas. Então busque observar como está seu próprio sistema de crenças, valores e virtudes.

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