O comércio não pode continuar pagando pelos outros

A Facesp – Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo – e a ACSP – Associação Comercial de São Paulo – manifestaram posição contrária à adoção das novas medidas restritivas à atividade comercial no Plano São Paulo, determinadas pelo Governo do Estado no último dia 22 de janeiro.

Para as entidades, o governo não leva em consideração a dramática situação enfrentada pelo comércio e, principalmente, pelo fato de que as empresas têm adotado todas as medidas sanitárias necessárias para assegurar a segurança de colaboradores e consumidores.

A recente evolução da pandemia é motivo de preocupação, porém, o comércio não pode ser responsabilizado por essa situação e ser o alvo principal de uma conduta extraordinária para diminuir os impactos desta onda de infecção e mortes por Covid-19.

Fechamento no Natal

O fechamento do comércio durante os dias pós-Natal e pós-Ano Novo mostraram que a medida em nada contribuiu para o objetivo visado, mas teve um impacto negativo muito grande para as empresas atingidas, que já vinham fragilizadas pelo longo período de isolamento anterior. Impor novas restrições poderá implicar no fechamento definitivo desses comércios (e cadeia), com o consequente desemprego.

A insegurança que a adoção de medidas, sem qualquer debate, aumenta a incerteza dos empresários e da população e tem efeito altamente negativo sobre as expectativas e as decisões econômicas. Discriminar alguns segmentos do comércio, enquanto outros setores podem funcionar normalmente, cria condições injustas de concorrência e afeta a sobrevivência de parcela importante das empresas do varejo.

Causa X Efeito

Restringir as atividades econômicas com base nas fases do Plano São Paulo, que considera fatores estatísticos que não se fundamentam na relação de causa e efeito do crescimento da pandemia, não assegura que os resultados esperados para diminuir os impactos da pandemia na população serão atingidos.

A Facesp tem a convicção de que a falta de diálogo – para a adoção de restrições tão drásticas – retira das entidades as condições para poder dar suporte às medidas do Governo. Agrava essa situação o fato de que o Governo do Estado, ao impor restrições que inviabilizam a vida das empresas e colocam em risco os empregos, não oferece qualquer apoio que possa contribuir para amenizar as dificuldades de empresários e trabalhadores.

Pelo contrário, o poder público estadual aumentou o ICMS para muitos produtos, fato que torna mais difícil a recuperação futura da atividade econômica e ainda afeta a economia de forma generalizada.

A Facesp e a ACSP, assim como as associações da RA2 (do Grande ABCD) esperam que o governo reveja sua decisão tendo em vista a possibilidade de colapso da economia e de agravamento da situação da população mais pobre, com o risco de consequências sociais extremamente sérias.

 

 

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