O desespero silencioso

Quem imaginou perder o emprego em plena pandemia proveniente do coronavírus (Covid-19). Se receber a notícia de uma demissão já é dolorosa em tempos comuns, imagine encarar uma situação como esta diante de um mundo novo, hábitos novos e, principalmente, em isolamento social. Está todo mundo na mesma tempestade (alguns com mais, outros com menos sorte).

Em meio a tantas perdas, não existe a quem abraçar, desabafar, chorar e pedir um consolo. As justificativas da demissão é padrão: replanejamento financeiro para passar pela crise e, contudo, a inevitável contensão de despesas, a qual milhares de pessoas se encaixaram.

A projeção é que cerca de 3 milhões de postos de trabalhado sejam fechados até o final de junho. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio do Pnad – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, o desemprego atingia 12,3 milhões de brasileiros no final do primeiro trimestre do ano. Logo, serão mais de 15 milhões de pessoas sem ocupação.

Não é incompetência… É a crise!

Perder o emprego em uma conjuntura como essa do Covid-19, deixa a estranha sensação de abandono e rejeição. “Puxa, me largaram para trás em plena maré alta. E por que eu e não fulano?”. Sim, este é um sentimento inevitável que, posteriormente, vem acompanhado de outras preocupações: “Como vou fazer para pagar as minhas contas? Como conseguirei outro emprego durante a pandemia? Como vou fazer para sair desta situação neste momento em que o mundo parou?”.

De acordo com a terapeuta Rosa Maria Belchior, do FloreSer Healing, é fundamental estar muito bem compreendido que não se trata de uma questão de incompetência, mas sim as circunstâncias planetárias que levaram o indivíduo a perder a sua posição, e não as suas qualificações. “Calma nesta hora! É preciso ter consciência, entendimento e equilíbrio sobre a situação, para que o estado físico e emocional não piore”, alertou Rosa.

Cuidar da saúde mental

Desespero e contrariedade podem gerar um aumento de pressão arterial, deixando-a alta e descontrolada. A ansiedade leva a arritmia, falta de ar, insônia e, neste momento, as pessoas não podem colocar mais dor onde já está em “carne viva” de tanta cobrança. É preciso estar atento aos pensamentos e evitar os sentimentos de autopiedade e autopunição. “Respirar, acalmar e acreditar que tudo isso terá fim. Enxergar que é possível (e deve-se) aproveitar este tempo para investir em mais qualificações profissionais”, aconselha Rosa.

É importante não deixar a mente ociosa e ocupar o tempo com algo construtivo. Faça cursos online, atualize o currículo e as redes sociais (as empresas entram nas redes sociais para conhecer melhor o perfil de seus candidatos). “Faça exercícios físicos de respiração consciente e guiados, isso ajudará a manter a calma. Diga ‘olá’ para velhos amigos que há tempos não tinha contato em virtude da correria; eles também podem ser fonte de indicação para futuras vagas. É importante fazer atividades que deem prazer e, acredite, pensamentos positivos fazem toda a diferença na vida”, encerrou Rosa.

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